Estados Unidos, Reino Unido e Canadá são os destinos mais populares.
Pesquisa revela ainda interesse mundial em recompensas não financeiras.
Dois em cada três candidatos a emprego dizem que estariam dispostos a mudar para o exterior para trabalhar. Para as consultorias de gestão The Boston Consulting Group (BCG), e de recrutamento The Network, responsáveis pelo estudo, trata-se de uma proporção alta que diz muito sobre o mercado de desenvolvimento de talentos. Foram avaliadas 200 mil pessoas de 189 países para saber ainda a quais países elas iriam.
A proporção de pessoas que querem trabalhar no exterior é elevada nos países que ainda estão em desenvolvimento econômico ou estão passando por instabilidade política. Mas há também uma elevada disponibilidade para se trabalhar no exterior em alguns países que não têm esses desafios: mais de 75% dos entrevistados na Suíça, mais de 80% dos entrevistados na Austrália e mais de 90% dos pesquisados na Holanda dizem considerar a mudança para um outro país para trabalhar.
Os EUA são o destino preferido da mão de obra estrangeira, visto como atraente por 42% das pessoas que procuram emprego no estudo. Outros dois países de língua inglesa chegaram próximos aos resultados dos EUA: Reino Unido e Canadá foram citados por 37% e 35% dos entrevistados, respectivamente. A maioria dos outros locais citados entre os 10 melhores destinos para se trabalhar são países europeus que têm economias fortes, atrações culturais famosas ou ambos.
Em países com renda per capita alta, a vontade de trabalhar no exterior é geralmente ligada a fatores experienciais, não econômicos. Essa é uma realidade para quem trabalha na Suíça, Estados Unidos, Alemanha e Reino Unido.
Quem deseja ser expatriado não pensa apenas em termos de países; eles pensam em termos de cidades, sendo que Londres é o destino preferido, seguido de Nova York e Paris. Um candidato a emprego turco disse no relatório, "Se você perguntar a um jovem neste país, 'Aonde você quer ir no Reino Unido?', eles nunca dirão Liverpool ou Manchester. Todos dizem Londres por causa da harmonização cultural."
A vontade de trabalhar no exterior varia significativamente entre os países europeus ocidentais. Na Grã-Bretanha e na Alemanha, apenas 44% dizem que estariam dispostos a trabalhar fora do país de origem. Isso é menos da metade do número de holandeses que estão dispostos a se mudar para trabalhar e consideravelmente abaixo da vontade dos suíços.
A profissão tem uma grande influência sobre a mudança. Pessoas que trabalham em engenharia e trabalhos técnicos são os mais propensos a considerar um emprego fora do país. Aqueles que trabalham em áreas mais fortemente regulamentadas, como o trabalho social e medicina, são os que menos tendem a se mudar.
"Este é um mundo em que as barreiras geográficas para o emprego estão caindo, inclusive nas mentes de alguns dos trabalhadores mais talentosos e altamente qualificados", diz Rainer Strack, sócio sênior do BCG e um dos coautores do relatório. "Isso está abrindo oportunidades significativas para profissionais e para os muitos países e empresas multinacionais que estão enfrentando escassez de talentos."
Motivações
Apesar de o dinheiro continuar tendo um peso importante, a maioria dos entrevistados citou o apreço pelo seu trabalho como sua prioridade número um. Outros dois fatores comentados foram as boas relações com colegas e a boa relação entre vida pessoal e trabalho.
Os fatores que fazem as pessoas se sentirem motivadas no ambiente de trabalho foram citados não somente por aqueles dispostos a trabalhar fora do país de origem, mas por profissionais que não pensam nessa hipótese.
A idade tem um grande impacto sobre o que os trabalhadores procuram no local de trabalho. Trabalhadores na faixa dos 20 anos se concentram no desenvolvimento de carreira. Na faixa dos 30 anos, o foco passa a ser o equilíbrio na relação trabalho e vida pessoal. Quando chega aos 40, o profissional coloca as responsabilidades familiares como prioridade.
Conforme as pessoas envelhecem, esses fatores desaparecem em importância e a satisfação com o trabalho passa a ter um significado adicional para a maioria dos trabalhadores.
Fonte: G1, 28 de outubro de 2014; fetraconspar.org.br