O rendimento médio da mulher cresceu 12,76% em uma década no País, ao passar de R$ 995 em 2000 para R$ 1.122 em 2010, segundo as Estatísticas de Gênero do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), divulgadas semana passada. Entre os homens, a variação foi de 3,60%, com alta de R$ 1.469 para R$ 1.522. Apesar do avanço em direção à equiparação salarial, a razão entre o rendimento das mulheres em relação ao dos homens, que era de 65,19%, subiu para apenas 67,60%.
Os dados são atualizados de acordo com valores de 2010. Ao mesmo tempo, as mulheres aparecem à frente em todos os indicadores de educação. Houve avanços entre ambos os gêneros, mas enquanto 9,95% dos homens tinham ensino superior completo há quatro anos, o índice era de 12,50% entre mulheres, por exemplo. O que não impediu que a média de ganhos delas continuasse menor do que a deles em todas as áreas e setores da economia.
Especialista em mercado de trabalho, a professora de economia Katy Maia, da Universidade Estadual de Londrina (UEL), diz que ocorreram avanços pela redução do preconceito e pela implementação de políticas públicas que favorecem a busca da mulher por empregos, como as de conscientização sobre igualdade de gênero e a abertura de creches e de escolas em tempo integral. Ainda assim, muitas empresas ainda preferiam e preferem funcionários homens. "A mulher prioriza a família em relação ao trabalho, é quem leva o filho ao médico, quem tira licença maternidade, e o pai não costuma fazer isso. É cultural e biológico, mas gera discriminação", diz.
As mulheres ainda buscam mais empregos informais, ou de meio período, devido a obrigações do lar. Conforme o IBGE, o crescimento da formalização entre as mulheres (de 51,3% para 57,9%) foi inferior ao dos homens (de 50,0% para 59,2%).
Quando o departamento de recursos humanos é mais consciente, não se faz distinção salarial. Os planos são de cargos e carreiras, e não para pessoas ou gêneros
Fonte: Folha de Londrina, 04 de novembro de 2014; fetraconspar.org.br