Índice teve queda em todo o País; futuro é de incertezas devido ao momento pós-eleição, dizem especialistas
A taxa de desocupação recuou em todas as regiões do Brasil, e ficou em 6,8% no segundo trimestre de 2014. Os números são da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua, divulgados ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O resultado é menor do que o verificado em igual trimestre de 2013, quando a taxa de desemprego foi de 7,4%. No primeiro trimestre de 2014, a taxa tinha sido de 7,1%. No País, a população ocupada somou 92,1 milhões no segundo trimestre, número maior que nos três primeiros meses do ano quando totalizou 91,2 milhões de trabalhadores.
A Região Sul foi a que apresentou a menor taxa de desocupação de pessoas, de 4,1%. Logo atrás, vêm as regiões Centro-Oeste (5,6%) e Sudeste (6,9%). O índice do Sul foi menor que os verificados no trimestre anterior e no mesmo período de 2013, ambos de 4,3%.
O Sul também foi a região que apresentou a maior taxa de empregados com carteira assinada – 85,6%. No País, 78,1% dos empregados do setor privado possuíam carteira de trabalho assinada. O resultado representa um avanço de 1,7 ponto porcentual no total de empregados formais em relação ao segundo trimestre de 2013, quando essa fatia era de 76,4%.
"Mesmo em um momento em que a economia apresenta baixo crescimento, continuamos tendo geração de emprego", avalia o economista e conselheiro do Conselho Regional de Economia do Paraná (Corecon-PR), Cid Cordeiro. Segundo ele, o resultado positivo no emprego do Sul do País tem relação com o crescimento da oferta de vagas típica desse período do ano (abril a junho), que vem após o início do ano, quando a taxa de desemprego costuma ser maior.
No entanto, se a economia continuar apresentando baixo crescimento, isto pode repercutir negativamente nas taxas de emprego futuras, alerta o economista. Por enquanto, com a previsão de Produto Interno Bruto (PIB) de 1,5% para 2015, a expectativa é que o cenário seja positivo.
Para o diretor de pesquisa do Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico e Social (Ipardes), Júlio Suzuki, a alta taxa de ocupação na Região Sul do País mostra um mercado de trabalho bastante aquecido, que reflete o modelo econômico do País de bons índices de emprego e baixo crescimento econômico. "O emprego é o único indicador econômico favorável. A grande dúvida que se coloca é quanto à sustentabilidade deste modelo", continua o diretor, ressaltando que, neste momento pós-eleição, ficam incertezas em relação a possíveis ajustes da economia que podem elevar a taxa de desocupação.
"É muito nítido o esgotamento da força de trabalho na Região Sul. Os 4% de desocupação querem dizer que a Região está muito próxima ao pleno emprego", observa Suzuki. No entanto, ele ressalva que este alto índice de ocupação na região e a consequente falta de força de trabalho pode, mais tarde, representar um problema para o crescimento da economia.
Gênero
A Região Sul também se destacou em relação à diferença da taxa de ocupação entre homens e mulheres. O Sul tem a menor diferença entre os gêneros de todas as regiões do País: para os homens, a taxa de desocupação é de 3,3%, e para as mulheres, de 5,1%. No Brasil, esta taxa é de 5,8% para homens e de 8,2% para mulheres. (Com Agência Estado)

Fonte: Folha de Londrina, 07 de novembro de 2014; fetraconspar.org.br