Percentual de demissões passou de 61%, em 2013, para 48%, neste ano.
Rotatividade também apresentou queda, de 63% para 36%.
As empresas brasileiras conseguiram manter estabilidade na gestão de pessoas durante 2014, segundo a terceira edição do Guia Salarial Hays/Insper. Apesar do ano ter apresentado baixo crescimento econômico, grandes eventos, incertezas políticas e econômicas, três fatores principais contribuíram para o quadro estável: baixo índice de demissões, diminuição no turnover e variação de valores salariais dentro da média.
O número de empresas que realizaram demissões caiu de 61%, em 2013, para 48%, em 2014, mostrando um equilíbrio no mercado de trabalho. O congelamento salarial também se manteve na mesma faixa, variando de 18% para 26%. A rotatividade nas empresas passou de 63% para 36%, o que demonstra maior cuidado por parte dos profissionais para realizar movimentações na carreira.
Se por um lado o mercado mostra estabilidade, por outro, empregadores e profissionais relatam receios. Um exemplo é número de profissionais que afirmam que as condições estão mais difíceis do que em 2014, que aumentou de 12% para 34%, mais que o dobro. Outro indicativo é o porcentual de pessoas que se mostram interessadas em novas oportunidades: 80% dos entrevistados afirmam estar abertos a novas propostas.
O Guia Salarial Hays/Insper traça o perfil profissional do país e as tendências do mercado de trabalho a partir da percepção de 8 mil profissionais e representantes de 500 empresas.
A confiança na economia também reduziu, tanto por parte dos trabalhadores quanto das empresas. Entre os entrevistados do primeiro grupo, 67% relatame falta confiança, taxa que era de 29% em 2013. Entre os empregadores, 69% têm a mesma opinião contra uma fatia de 33% registrada na última pesquisa.
Para Carla Rebelo, diretora Geral de Operações da Hays no Brasil, os dados são um termômetro das oscilações ocorridas no país no último ano. “Com a Copa do Mundo, houve uma grande expectativa por movimentações econômicas que não se concretizou. Além disso, as incertezas sobre os rumos da economia se fizeram presentes durante todo o período das eleições”, pontua.
A pesquisa tem como objetivo traçar o perfil dos profissionais que atuam no país e apontar as principais tendências do mercado de trabalho. Por ser um trabalho conjunto entre uma consultoria e uma instituição de ensino, consegue unir a expertise de recrutadores ao olhar acadêmico apurado.
O que as empresas valorizam
A capacidade de trabalho (36%) e adaptação (13,7), motivação (31%), polivalência (11%) e lealdade (4,5%) são os principais aspectos valorizados em um funcionário num momento de estabilidade econômica da organização, segundo as empresas.
As empresas também citaram que valorizam a capacidade de trabalho e adaptação, motivação, polivalência e lealdade (36%) e outros 31% levam em conta a motivação.
Ao recrutar externamente, 51% das empresas valorizam as qualificações do candidato, 34% avaliam a forte experiência, 12% citaram outros quesitos e 3% a possibilidade de mobilidade.
O inglês é o idioma mais importante para 99,11% das empresas, seguido de espanhol (51%) e alemão (5%). Apenas 2,5% dos entrevistados acham o mandarim essencial ao mercado de trabalho.
A remuneração variável e oferecida por 64,4% das empresas. Em 2013, o porcentual era de 63,51%. A avaliação da remuneração variável, em 82% dos casos, tem como base os resultados da empresa, 55,5% levam em conta, ainda, avaliações individuais de desempenho e outros 50% resultados ou objetivos individuais.
Dos benefícios oferecidos, além do salário, 89,5% referem-se a seguro saúde, 84% seguro de vida, 75% seguro odontológico. Mais de 70% oferecem notebook, 77% vale-alimentação e 66% estacionamento. Quase 38% oferecem previdência privada.
Quase 100% da amostra (98%) considera os benefícios oferecidos por uma empresa como ferramenta importante de recrutamento e seleção de profissionais. O número de empresas que oferecem benefícios aos funcionários passou de 91% em 2013 para 97% este ano.
A rotatividade dos profissionais com menos experiência de mercado (até 2 anos) passou de 62% no último ano para 70% em 2014. A variação reforça o investimento das empresas em manterem os talentos e a maior estabilidade dos profissionais com mais experiência.
Diante do candidato ideal, 37% das empresas entrevistadas compensam o salário do candidato com benefícios diferenciados, enquanto 36% desistiriam do candidato por não conseguirem negociar valores – em 2013 essa porcentagem chegava a 41%. Outros 27% afirmam ter salários compatíveis à expectativa.
Fonte: G1, 19 de novembro de 2014; fetraconspar.org.br