Apesar de serem empreendedoras, as mulheres continuam sendo aquelas que controlam as tarefas do lar. "A jornada de trabalho das mulheres é muito maior. Elas são empresárias, mães, esposas. Mesmo que não tenham que fazer serviços do lar quando chegam em casa, são elas que estão por trás da organização da casa", comenta a consultora do Sebrae, Liciane Pedroso. "Muitas também têm a empresa como o sustento da família."
Por este motivo, na opinião da empresária Suzana Okagawa, a decisão de abrir um negócio para elas é muito mais difícil. "Para a mulher, é muito mais difícil ser autônoma."
Antes de abrir uma imobiliária, Suzana era professora. Devido às condições de trabalho que encontrava, resolveu buscar uma outra profissão. Fez curso técnico, conquistou o registro no Conselho Regional de Corretores de Imóveis (Creci), mas abandonar um emprego com salário fixo, férias e décimo terceiro, não era nada fácil. Por isso, antes de abrir a imobiliária com o auxílio do marido, da irmã e do cunhado, trabalhou por alguns anos em construtoras da Cidade. "A mulher não é só de negócios. Tem que cumprir muitas funções dentro da família. Eu tinha uma filha de três anos e a gente tem que se preocupar com outras coisas, sem contar o fator financeiro. Um negócio exige investimento."
A empresária lembra que, quando entrou no ramo, ouvia de outras pessoas frases que expressavam o preconceito ainda existente na sociedade. "Lembro que, quando comecei, uma pessoa me perguntou: ‘mas seu marido vai deixar você trabalhar como corretora?’ Não respondi."
Hoje, Suzana tem uma carteira de clientes estabelecida e colhe os frutos do reconhecimento da sua imobiliária no mercado. "As mulheres já conseguiram conquistar o seu espaço. Estamos dois passos à frente deles (dos homens): podemos dirigir, podemos ser bancárias, podemos ser corretoras de imóveis. E além de tudo, não abandonamos as funções do lar."(M.F.C.)
Fonte: Folha de Londrina, 09 de março de 2015; fetraconspar.org.br