Quem depende de restaurantes para almoçar tem gasto médio de de R$ 25,70 na região Sul; em Curitiba valor é de R$ 25,49
Com a correria do dia a dia, as dificuldades de deslocamento no trânsito e a presença cada vez maior das mulheres no mercado de trabalho, as pessoas têm optado por almoçar fora de casa. Hoje, os brasileiros gastam, em média, R$ 27,36 por dia para comer fora do domicílio, considerando uma refeição completa, que inclui prato principal, uma bebida não alcoólica, sobremesa e cafezinho. A região Sul é onde o brasileiro desembolsa o menor valor para comer - R$ 25,70 por dia. Em Curitiba, o gasto fica em R$ 25,49. Em São José dos Pinhais, na Região Metropolitana de Curitiba, o valor médio da refeição é de R$ 21,11.
Os dados fazem parte da pesquisa "Preço Médio 2015", encomendada pela Associação das Empresas de Refeição e Alimentação Convênio para o Trabalho (Assert) e realizada pelo Instituto Datafolha em 51 municípios, sendo 23 capitais, das cinco regiões do País.
O economista do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), Fabiano Camargo da Silva, afirma que é mais caro almoçar fora de casa em relação à alimentação no domicílio. Isso porque, a refeição fora de casa inclui custos como aluguel do estabelecimento, mão de obra, energia elétrica, gás, margem de lucro, além dos preços dos alimentos em si. "Comer em casa é mais barato", diz. No entanto, ele explica que o percentual que pode ser economizado depende do perfil de cada família. "Com as dificuldades cada vez maiores de deslocamento, as pessoas não têm muita escolha." Segundo ele, a opção pelo almoço fora de casa alia falta de tempo com comodidade.
Aline Batista Rodrigues é uma das pessoas que ainda prefere almoçar em casa. "Minha mãe cozinha e, por isso, vou almoçar em casa todo dia", conta. Apenas uma vez por semana ela costuma almoçar fora e gasta de R$ 17 a R$ 22, mas admite que almoçar em casa é bem mais barato. A cada 15 dias ela faz uma compra de R$ 300 no supermercado com alimentos para o almoço. No cardápio sempre tem salada, carne, arroz, legume cozido e suco. "Almoço em casa pelo custo, facilidade e por ser mais saudável. A minha mãe usa temperos que eu gosto como cebolinha, salsinha e coentro, o que deixa a comida mais gostosa", diz.
Aline e o economista do Dieese têm razão quando afirmam que comer fora de casa é mais caro. De acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) teve alta de 69,34% de 2005 a 2014. A inflação dos alimentos foi de 99,73% no mesmo período. Os alimentos comprados nos mercados para serem consumidos no lar tiveram alta de 86,59% nestes nove anos e os alimentos consumidos fora de casa aumentaram 136,14%.
Só no ano passado, os alimentos consumidos no domicílio subiram 7,10% e os alimentos consumidos fora do lar tiveram alta de 9,79%.
Em Londrina, a administradora de empresas Silvana Albonéa Jacobs já notou a alta nos preços, mas a praticidade e a falta de tempo fazem com que ela, o marido e a filha almocem fora. "Moro longe (do trabalho) e não temos uma empregada mensalista, por isso fica inviável voltar para comer em casa. Mesmo assim, fazemos questão de almoçarmos juntos", justifica.
Segundo silvana, em média, os três gastam R$ 50 por dia apenas com as refeições, já que não têm o hábito de tomar sucos ou refrigerantes no almoço. "Algumas vezes a Beatriz pega um chocolate ou outra sobremesa, mas não é uma regra. Acredito que almoçar em casa sairia mais barato, mas para isso precisaria ter uma pessoa que cozinhasse, já que não tenho tempo para isso. Também percebo que nas cidades menores o preço da refeição é mais baixo, embora não tenha tanta variedade."
POR REGIÕES
Entre as regiões do País, o Sudeste é onde o trabalhador mais gasta para almoçar diariamente - R$ 27,76, em média. Em seguida aparecem Nordeste (R$ 26,98), Norte (R$ 26,11) e Centro-Oeste (R$ 26,09).
A pesquisa da Assert mostra ainda que os itens que vão à mesa do brasileiro variam entre as regiões, mas a combinação arroz com feijão segue como preferência nacional. O levantamento traz a percepção de um grande aumento na demanda por frutas (59%), legumes e verduras (68%) e sucos naturais (70%). Ao todo, 5.118 estabelecimentos foram avaliados de 25 de novembro a 18 de dezembro de 2014. A pesquisa foi realizada com nova metodologia, por isso não foi possível comparar as variações de preços entre um ano e outro.
Fonte: Folha de Londrina, 18 de maio de 2015; fetraconspar.org.br