O presidente da Associação Brasileira dos Consultores Políticos (Abcop), Carlos Manhanelli, avalia que as restrições nos tetos de gastos de campanhas impostas pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) vão beneficiar os políticos que já estão no poder, que pensam "apenas em manter o status quo". Manhanelli também é professor de Comunicação Politica e Marketing Eleitoral em universidades da Espanha. 

O especialista torce o nariz para as limitações de gastos em campanhas eleitorais por considerar a comunicação item essencial na divulgação dos candidatos. "Quando se diminui os gastos com essas ferramentas, teremos um prejuízo no andamento da campanha", avalia. 

Além do teto estipulado menor que o das eleições de 2012, também passam a ser proibidas este ano as doações feitas por empresas. Com isso, o candidato passa a contar apenas com os repasses do Fundo Partidário, de doações de pessoas físicas (que não podem ser maiores que 10% dos ganhos declarados no ano anterior) e dos próprios recursos. "Todos vão sofrer com as restrições. Obviamente, candidatos que tenham maior verba disponível poderão fazer uma campanha mais eficiente para chegar aos seus eleitores." 

Apesar de parecerem boas medidas para o eleitor comum, Manhanelli considera que, ao impor as restrições, deputados e senadores estão legislando em causa própria, dificultando ao máximo que novos líderes possam pleitear cargos eletivos. "Enquanto quem já está eleito pode se apresentar para os eleitores durante os quatro anos de seu mandato, por meio de mensagens de aniversário, festas, informativos de atividades e outras coisas, os novos só terão 45 dias para se apresentar como candidatos à sociedade", diz o professor. (L.F.W.)

 


Fonte: Folha de Londrina, 18 de janeiro de 2016fetraconspar.org.br